Mudanças nas Diretrizes da Correção
Em 2025, as regras de correção da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passaram por alterações significativas. Embora o Inep, responsável pela aplicação do exame, tenha afirmado oficialmente que os critérios permaneceram os mesmos, documentos internos revelaram mudanças significativas nas diretrizes utilizadas pelos corretores. Ao invés de uma abordagem matemática, que contava o número de elementos coesivos para atribuir notas, a correção se tornou mais subjetiva.
Entre as principais alterações, destaca-se o novo peso dado ao item “ação” na proposta de intervenção, cuja omissão resulta em prejuízos maiores para a nota. Assim, a necessidade de atender a todos os itens obrigatórios foi enfatizada, gerando certo desconforto e confusão entre os candidatos, que já estavam habituados a critérios que não exigiam tanta rigidez.
Regras de Coesão e Coesão
Na competência 4, que analisa o uso de coesão e coesão textual, a abordagem também se tornou mais ampla e menos definida. Os corretores passaram a avaliar a presença de conectivos e operadores argumentativos não apenas de forma quantitativa, mas qualitativa, traduzindo a presença desses elementos com termos como “regular” ou “expressiva”. Essa mudança pode impactar significativamente a nota de muitos alunos, já que agora o critério está sujeito à interpretação do corretor.

Impacto na Competência de Intervenção
Na competência que requer a proposta de intervenção, ou seja, a sugestão de ações que possam resolver o problema apresentado no texto, a regra sobre a inclusão dos cinco elementos obrigatórios se manteve. Contudo, com a nova nota de rodapé, a falta do elemento “ação” agora implica uma maior penalização, fazendo com que o aluno que esquece sua descrição perca 120 pontos.
Com a aplicação rigorosa dessas novas diretrizes, muitos candidatos se sentiram prejudicados, especialmente aqueles que já tinham um histórico de notas mais altas. Por exemplo, alunos que haviam conseguido notas acima de 900 nos anos anteriores se viram com pontuações significativamente mais baixas, levando a um questionamento sobre a equidade do processo de avaliação.
A Relação entre Competências 2 e 3
A comunicação entre as competências 2 e 3 tornou-se um ponto crucial na correção. A partir de 2025, as referidas competências passaram a se interligar, de modo que erros em repertórios socioculturais, que antes eram avaliados apenas na competência 2, apresentado penalizações também na competência 3. Essa união trouxe uma nova rigidez que a muitos alunos não estava claro, acarretando na confusão sobre a forma como suas redações eram analisadas.
Critérios de Avaliação mais Subjetivos
A mudança para critérios mais subjetivos levantou preocupações entre alunos e educadores. A adoção de classificações qualitativas em vez de números exatos na correção da coesão linguística pode ser interpretada de maneiras diferentes por diferentes corretores, o que, em última análise, afeta a consistência na avaliação. Isso ocasionou um aumento nas dificuldades que os alunos enfrentaram no momento de elaborar suas redações, já que as avaliações agora dependem mais da interpretação do avaliador.
Orientações para Repertórios Socioculturais
Outra alteração significativa refere-se às orientações sobre repertórios socioculturais. Agora, espera-se que os candidatos façam referências a autores, livros ou filmes de maneira contextualizada, evitando os já conhecidos “repertórios de bolso” — citações genéricas e desconectadas que, em anos anteriores, eram aceitas, mas que atualmente são vistas como inadequadas.
Pessoas que utilizam essas referências de maneira solta e sem articulá-las corretamente ao tema em discussão também enfrentam penalidades, o que pode resultar em uma avaliação menos favorável. Esse novo comando busca elevar a qualidade das produções textuais, mas, por outro lado, também cria uma carga de cobrança maior sobre os alunos para que eles demonstrem um conhecimento mais aprofundado do repertório cultural.
Dificuldades Encontradas pelos Candidatos
Os relatos de candidatos sobre as redações de 2025 indicam uma sensação generalizada de frustração. Muitos afirmam não entender os motivos por trás de suas notas que caíram drasticamente. Exemplos de alunos que sempre atingiram notas superiores a 900, mas que no Enem 2025 não passaram de 700 foram comuns. Essa queda foi atribuída, em grande parte, a falhas nas correções, mas também à adaptação às novas normas.
Os candidatos empresário expressaram preocupações sobre a falta de comunicação clara sobre as diretrizes de correção. Isso levou a um sentimento de desconfiança em relação à validade das avaliações. Alunos relataram que, mesmo durante a prova, não perceberam que diferenças de interpretação poderiam influenciar tanto suas notas.
Repercussões no Resultado do Sisu
Uma das consequências diretas dessa mudança nas correções foi a repercussão no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Com a aceitação das notas das últimas três edições do Enem para classificar os alunos no Sisu de 2026, os novos participantes sentiram um descompasso ao concorrer com veteranos que, segundo a percepção geral, foram avaliados com critérios menos rigorosos. Isso reafirmou as queixas sobre a desigualdade na correção do exame.
Os alunos que prestaram a prova em 2025 não apenas figuraram com notas baixas, como também sentiram que a avaliação geral do Enem não se mostrava confiável, levando a preocupações sobre suas chances no Sisu e outras oportunidades universitárias. Alunos que se prepararam por anos viram a confiança de seu esforço abalada.
Reações de Especialistas
Os especialistas em redação e educação criticaram abertamente as mudanças abruptas e a falta de clareza nas novas diretrizes. Educadores alertaram que essa subjetividade na correção poderia refletir um desvio da justiça no processo avaliativo. Essa situação levou muitos a questionar a autonomia do Inep e a credibilidade do exame, que já é um importante dispositivo de acesso ao ensino superior no Brasil.
Comentários de educadores indicaram que a mudança na abordagem das correções precisa ser mais transparente, garantindo que não haja conflitos de interpretação. Especialistas enfatizam que, para o Enem cumprir seu papel de promover a equidade no acesso à educação, é vital que os critérios de avaliação sejam claros e aplicados de forma consistente.
O Papel do Inep nas Avaliações
O Inep, em resposta às críticas, reafirmou que não houve alterações nas diretrizes de correção e insistiu que os procedimentos mantêm a mesma estrutura de anos anteriores. No entanto, essa posição não foi suficiente para apaziguar os ânimos. A defesa do Inep foi interpretada por alunos e especialistas como uma tentativa de encobrir as mudanças que, embora não oficialmente reconhecidas, impactaram profundamente o desempenho dos candidatos em 2025.
A falta de um diálogo aberto e honesto por parte do Inep em relação às modificações e a pressão sobre os corretores de redação podem gerar um ambiente hostil que prejudica a educação. O exame, que deveria ser um motor de inclusão e democratização, pode perder esse efeito positivo devido a questionamentos sobre a fidedignidade de suas avaliações, que podem ser interpretadas como arbitrárias.

Estudante em Jornalismo, Especialista em Oratória e Redador do site Encceja.net.br. Mãe de 3 gatos sou eterno conhecimento.

