Estudantes da Fatec Zona Leste denunciam ausência de políticas de permanência


Denúncias de Estruturas Precarizadas

Na última audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo, estudantes e educadores da Fatec Zona Leste expressaram suas preocupações em relação à deterioração das condições da instituição. Entre as queixas, importantes problemas foram apresentados, como a falta de um restaurante universitário e a inexistência de laboratórios operacionais, além de banheiros interditados e elevadores fora de funcionamento. Este sucateamento, segundo os participantes, é reflexo das políticas prejudiciais do governo atual à educação pública.

A Necessidade de Políticas de Permanência

O cenário apresentado pelos estudantes revela a urgência em implementar políticas de permanência que assegurem a conclusão dos estudos e a assistência aos alunos. O estudante Rafael, do Diretório Acadêmico, destacou que a maioria dos alunos trabalha em turnos que dificultam a conciliação com os estudos. Eles se encontram em um regime 6×1, de segunda a sábado, sem qualquer tipo de apoio financeiro para a alimentação ou outras necessidades básicas. “Isso não é viável”, ressaltou Rafael.

Luta contra o Sucateamento da Educação

O deputado Carlos Giannazi criticou os cortes no orçamento da educação realizados pelo governo de Tarcísio de Freitas, que reduziu o percentual do orçamento destinado à educação de 30% para 25%. Isso resulta em uma perda significativa, estimada em R$ 11 bilhões, impactando a construção de novas escolas e investimentos em infraestrutura. O discurso forte sobre o sucateamento das instituições públicas ecoou durante toda a audiência.

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Desmonte das Políticas Públicas

Giannazi também denunciou um suposto conflito de interesse envolvendo o atual secretário de educação, que, segundo ele, vendeu equipamentos à secretaria antes de assumir o cargo, o que levanta preocupações sobre a gestão do setor. Além disso, a presença de plataformas digitais com contratos exorbitantes destacou a falta de transparência e possíveis favorecimentos que ocorrem dentro do sistema.

Comparativo com Universidades Estaduais

Danilo Lima, da Educafro e ex-aluno da Fatec, comparou a falta de assistência da Fatec com as políticas de apoio existentes em universidades federais, como a UFSCar, onde políticas de assistência estudantil, como moradia e bolsas, fazem a diferença na vida dos estudantes. A ausência de suporte na Fatec, em contraste com essa realidade, ressalta a necessidade de um sistema mais justo e inclusivo.

Impacto da Gestão Atual na Educação

O impacto da atual gestão na educação pública é evidente nas palavras dos alunos e representantes. O diretor de políticas públicas da Educafro, além de relatar a precariedade na Fatec, apontou a falta de iniciativas para aumentar a inclusão de estudantes negros, uma vez que o sistema de pontuação atual não é suficiente para garantir uma maior diversidade na entrada desses alunos.

Cotas Raciais e Inclusão Social

O advogado Michael de Jesus mencionou a importância de políticas estruturais, como as cotas raciais, que deveriam ser implementadas com urgência na Fatec para garantir que a população negra tenha as mesmas oportunidades que seus colegas nas universidades estaduais. Ele criticou a falta de ações que visem à inclusão, ressaltando que a educação superior deve ser um direito para todos, especialmente para os que mais necessitam.

A Precarização dos Estudantes

Gabriela, outra estudante da Fatec, relatou sua indignação em relação à falta de condições básicas de atendimento no campus, como a inexistência de um restaurante universitário. Todos os dias, os alunos precisam levar sua própria comida para conseguir se alimentar durante as longas jornadas. “Alimentação estudantil não é um favor ou privilégio, é um direito”, enfatizou.

Testemunhos de Estudantes em Luta

A resistência dos estudantes contra as condições precárias é visível nas suas vozes. Igor Rossi, vice-presidente da União Nacional dos Estudantes, denunciou a situação em outras Fatecs, como a de Santos, onde a infraestrutura chega a colocar a vida dos alunos em risco. Com relatos de elevadores que falham e com a pressão da administração sob os estudantes, a luta por dignidade nas instituições é uma constante.

A Resposta do Governo e as Demandas da Comunidade

O governo ainda não apresentou soluções concretas para as reivindicações formuladas pelos estudantes e educadores. Os movimentos organizados, como o DCE e a Educafro, estão decididos a continuar pressionando por mudanças. Foi anunciado durante a audiência uma nova campanha intitulada “Direito de Permanecer”, que inclui a coleta de assinaturas e a solicitação de uma reunião com o Ministério Público para discutir o não pagamento das bolsas de permanência, conforme previsto pela legislação existente.

Considerações Finais

O cenário atual na Fatec Zona Leste, repleto de desafios e denúncias, ressalta a importância de garantir uma educação pública digna e acessível para todos. A luta por melhorias nas condições de permanência dos estudantes é um reflexo das necessidades de uma comunidade em busca de reconhecimento e respeito no setor educacional.